Deitado na minha
cama e querendo desabafar, pensamentos ridículos me passam na cabeça, e eu sigo
ridículo quando abro a janela e olho lá pra fora e vejo a imensidão cinza das
pessoas.
Um cinza que se deteriora, um cinza que tem cheiro de podridão, e não sou sinestésico não.
Um cinza que se deteriora, um cinza que tem cheiro de podridão, e não sou sinestésico não.
É um cheiro que
emana, que incenso nem bom ar cortam, que não tem perfume que freie, cheiro
podre de carniça, obviamente existem umas poucas flores no meio de todo esse
odor asqueroso,que são cada vez mais escassas, porque lhes falta chão, já que foi todo tomado por asfalto que é negro e
nos cobre de escuridão
Sombrio futuro.Eu
não sei, na verdade eu não sei. Só sei que é dificil enxergar no coração das
pessoas algo de compaixão e amor ao próximo, sentir que o que você trata de
fazer por elas, elas também têm tratado de fazer por você, que não está sozinho
nessa jornada.
Estamos tão
tomados de egoísmo e materialismo, o corpo anda cheio de roupas de marca, e a
cabeça anda cheia de merda. Tanto desenvolvimento pra isso? É um
desenvolvimento o que vivemos? A cada dia temos mais coisas, e menos
identidade.
Somos frutos da
propaganda e do marketing que surge da televisão e da apelação por onde quer
que vamos. Determinado artista ou alguém famoso usa determinada roupa?
Compramos, não pensamos duas vezes, porque ELE usa, ou porque é a moda. E
acabamos sendo todos iguais. Que ironia não?
Estamos sem
estilo, sem idéias...estamos é enclausurados numa cela.Onde está a nossa
liberdade?
Batalhamos por livre arbítrio, por liberdade
de expressão, por liberdade sexual. E não precebemos que essa batalha não chega
a lugar nenhum, que somos frutos de uma manipulação global, e a liberdade já se
esvai...
Quem nos permite
ser o que somos ou o que queremos ser? Ninguém, vivemos para trabalhar, comprar
coisas, pagar contas, comprar mais coisas, ter filhos, que necessitam de
coisas, necessitando mais dinheiro e portanto
trabalhar mais, e a inflação aumenta, não o salário, e temos que
trabalhar ainda mais, batalhando por essas “coisas” tão imprescíndiveis em
nossas vidas.
E consumimos
mais, mais cultura inútil, mais comida lixo...é sujeira que nos invade todo o
tempo, vermes que nos alimentam, tragamos, pagamos, não pensamos.
Segue o reinado
do egoísmo, cada um por sí, como exigir cambios? Um só não move uma montanha, e
sim uma multidão, coletividade? Faz me rir, nos preocupamos é com a roupa de
marca, com o último modelo de carro na garagem e com a televisão 3D de plasma
de 60 polegadas que queremos ter, que nos vai alimentar com lixo de maior
tamanho e resolução.
Liberdade?
Vivemos em apartamentos minúsculos, que nos oferecem como lazer salão de jogos,
piscina, churrasqueira, quadras poliesportivas, cinemas, espacios
gourmet...lugares esses que compartilharíamos com vizinhos se ao menos soubéssemos
como se chamam.
Mas seguimos
infurnados nos nossos minúsculos apartamentos de 40 metros quadrados, temos
medo de desbravar a imensidão do mundo,ninguém tem a culpa, foi isso que nos
ensinaram: a comprar, comprar, consumir, a se isolar e nada mais.
Estamos na
geração dos solteiros. Ninguém tem mais tempo de conhecer ninguém, já que nosso
trabalho nos tira quase todo o nosso tempo, mas é essencial, porque temos que
consumir. E quando conhecemos alguém...se mezclam olhares não apaixonados, e sim olhares de interesses. O que eu posso
conseguir estando com fulano ou sicrano? No fim campeão é aquele que consegue
transar no final da noite, que evolução da espécie! Pensemos positivo, pelo
menos nosso instinto é o de procriar...
Quem são nossos
ídolos? Parem e reflitam um pouco, como nos tornamos estúpidos! Queremos ser
como eles, valorizados pela sociedade e vazios por dentro, vazios de
pensamento...
O nerd, o que lê
é escrachado. O que faz uma música de putaria é idolatrado, o super-homem
Nietzchiniano é realmente uma utopia para seres inferiores como nós.
Será que nosso
desenvolvimento é como o coração? Nos hipertrofiamos e agora não podemos mais
cumprir nossa função? Chegamos ao nível de insuficiência...
Somos alimentados
por besteiras, inverdades, tudo mastigado, fermentado...
O Ego Freudiano
aflorou, e voltamos a viver como animais, tanto esforço desde a Grécia Antiga
para voltar a estaca zero.
O cinza que eu
vejo lá de fora, parece que se transformou em tempestade! Que inunde tudo isso
outra vez e limpe nossas almas, agora quem vai ser o Noé, eu não sei.
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